Todo mundo sabe como o papo começa. Tá na hora de mudar o final dessa prosa.

A pergunta mais ouvida em qualquer encontro publicitário sempre vem cercada de expectativas. Quase sempre, um desejo de ouvir alguma novidade bem diferente do “tá foda”, “a barca passou” e o “cliente saiu, aí já viu…”

Então, esse post é para falar de uma estreia. Não tão nova, mas uma ideia que confirma tudo o que venho lendo e pensando sobre o futuro e sobre como pretendo responder a próxima “comé que tá lá?” que ouvir. Relaxa que não tem nada a ver com a vida tensa e cheia de amarguras dos jovens do Alto Leblon.

Aliás, isso tem muito a ver com o que Robert Kyncl, ex-gestor de conteúdo da Netflix e atualmente no YouTube, disse nesse artigo da EXAME: “se você está no business de produzir conteúdo, você está na época certa.”

Na terça-feira, 18 de julho, o canal GNT começou exibir a série Humanidade[em mim], que você já poderia/deveria ter assistido no canal da marca Molico, no YouTube, desde o ano passado.

Não precisava ser nenhum Sheldon Cooper ou Samwell Tarly, para entender que o conteúdo produzido pelo coletivo Asas.br.com tinha tudo a ver com a proposta do GNT. Assim como não precisa ser Martt McFly para ver que estamos caminhando para um futuro com muito mais conteúdo.

samwell-tarly

O que precisamos é nos mexer.

A ABP se mexeu e em junho o ABP Talks foi exatamente sobre branded content. Duas produtoras muito legais estavam presentes e o debate refletiu exatamente a realidade das agências. Estamos perdidos. Bastante perdidos!

Os clientes que já perceberam como é importante gerar conteúdo estão procurando outras formas de produzir: seja indo direto às produtoras ou desenvolvendo colaborativamente com veículos, canais e portais.

Se você ficou triste com a morte prematura de Sense8 e The Get Down saiba que o cancelamento dessas séries, e de mais algumas outras tipo Girlboss e Marco Polo, é o principal indício de que a Netflix está trabalhando tanto como uma emissora de televisão, quanto uma produtora de conteúdo.

Quer outro exemplo de como as coisas estão ficando cada vez mais misturadas?

A Abril apresentou a pesquisa X DA QUESTÃO, um estudo muito legal sobre a geração que influencia, consome e paga a conta. São pessoas de 35 a 54 anos, que foi chamada de Geração X.

E foi graças a Geração X que entrei para um seleto grupo formado por Leonardo Dicaprio, Jennifer Aniston, Emmanuel Macron, Susan Wojcicki, a dupla Larry Page / Sergey Brin, J.K. Rowling, Vince Gilligan e Mark Zuckerberg. Este último, por questão de meses, quase não é aceito no grupo.

Com a pesquisa, a Abril apresentou também o seu Estúdio ABC. Uma área específica dentro da empresa capaz de produzir conteúdo de qualidade. E não estamos falando do famoso e temido publieditorial. Até porque se tem uma coisa pior que receber um publieditorial, é fazer um!

A Abril não viu esta oportunidade analisando o mercado publicitário. Esta oportunidade está aí, escancarada e sendo usada pelos portais, sites, canais e páginas como Vice e Desimpedidos, por exemplo, frequentemente visitados por milhares de pessoas de todas as gerações.

O Asas.br.com não se denomina coletivo, por esse ser o termo da moda, junto com a barbearia hipster, a pipoca gourmet e o spinner. Talvez seja o formato necessário para que ideias sejam construídas de uma forma diferente, que possibilitou a Molico abordar uma das principais tensões do nosso tempo para vender os valores do leite, seja integral, desnatado, com ou sem lactose, ou em pó.

E se não queremos que nossos empregos, negócios e mercado virem poeira, acho melhor começarmos a tirar leite de pedra e produzir conteúdo para nossos clientes.